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Tragédia Apolínea



Ainda que prefira o Sol, prefiro a Lua, que me completa de alegrar… E tu, Selene, corróis-me de excitação, alegria artificiosa vinda da tua obscura face. Por ti recebo, do pai (astro-pai), a Verdade, à feição de um imenso vislumbre, escondida materialmente nas coisas que andam e gracejam e estagnam de ruar, que deambulam nas ideias e gracejam absurdos ridiculamente verídicos, embora precários.
Sei Apolo porque não o vejo na matéria fosca do selénico; a menor falácia é a verdade irrevelável, conquanto o menos prazeroso dos vereditos. Ao luar me revejo íntima e veementemente, sou da cor que nada reveste e, portanto, idêntico a um infindo eclipse. Partilho com o silêncio da noite a inércia da Verdade — chistes abismais entoam mudezes espontâneas nos meus ouvidos cegos —, sentes, Selene, o pai próximo no bater da porta que ignoramos?
Toda esta luz uma amálgama sinestésica e um umbral divisório da plenitude caótica.
— Entra. — indica Apolo, com uma voz parada e divina que eu não sei ouvir.