Poesia alta é poesia fingida, i. e., ruminada ad nauseam;
sentida previamente à ação do cálamo, refletida, porque se busca
uma pseudo-verdade que é comumente chamada de opinião e,
finalmente, exposta com repulsa, como quem sente asco
relativamente à própria excreção. Por isso é a minha escrita,
especialmente a versejada, uma emética volição.
Um traço aborrecidamente vil que denoto, aquando opero vagaroso,
à Baudelaire, é a necessidade ilusória de uma guarida certa —
covil de feras dormentes —; indubitavelmente, força é que odeie
o pérfido amanhecer, mesmo não sendo este, na verdade, de tal
jaez. Poucos pensam ser mais prudente passar uma noite em claro
e ao relento, se houver a possibilidade de abrigo, e esta é a
ocasião que promulga a real índole do poeta; os demais, salvo
por exaustão que se tornou física, cedem estupidamente a uma
debilidade emocional e são mistificados pela própria vista.
Tudo o que é escorreito, é-o por fingimento, por manoeuvre, em
suma, por não o ser, não após, naturalmente e o ser, não antes,
racionalizadamente.