Sei que erro, vagabundo e fugídeo, por um qualquer terreno
desconhecido, alhures na mente, e percorro como um cavalo fugaz
a pradaria de nenhures, além-mundo, conquanto inconcebivelmente
tangível. Cerro a vista e sinto nas pálpebras o ardente
resplandecer do sol, ao passo que a brisa vespertina me vai
laminando subtilmente a face oca… E logo tudo se liberta de mim.
Repentinamente sei não o lembrar e, enquanto exercito a
lembrança, já as ruínas do sonho se evaporaram para uma outra
realidade, aparte do espaço e do tempo onde o meu torso resta.
Lá fiquei eu chorando o abraço que se afastava cansado de me
esperar. Tanto se afastou, que aos meus olhos não passava de um
mórbido horizonte a penumbrar a região mais latente da Terra… O
Páramo dos Sonhos Desfalecidos.