Não sinto mesmo nada
Senão uma reflexão de tudo
Como um espelho no infinito
Branco, preto, baço, sólido
Um nada tão imenso
Que me é tudo, mas não é nada.
Prefiro fechar os olhos
E expressar nada
Sem diálogo, incomunicável…
A coruja que vive solitária
Enquanto o resto descansa,
Imperceptível na luz do dia,
Invisível após a alvorada.
Uma tocha discretamente
Cintilante na madrugada fria,
O mais belo dos momentos
E quão belo é estar só,
Alimentando o cadáver da alma
Com a pureza do ar
Que somente eu respiro.