Ainda que advindo de uma preocupação moral, não é o ceticismo
uma moralidade, como não é o ateísmo uma religião, mesmo sendo a
subsequência de uma diligência religiosa. Negar é rejeitar uma
posição interna… Mas aceitar uma externa? Naturalmente, não. Sem
moralidade e religião não haveriam o ceticismo e o ateísmo.
Estes últimos, que nada servem, assemelham-se, por irrelevância
substancial, ao Diabo, mas dele também diferem, no tocante à
orientação e distanciamento da sua nolição, porque o Diabo é,
essencialmente, o despertar de um ângulo retangular à crença, i.
e., seu filho, O Mais Astuto e, alas, inédito, e eles apenas
quedam no vértice mesmo.
O niilismo é uma força de repulsão que basta para a estagnação,
porém não se intensifica além do ponto.
O niilista é a cobra, no vaso de Carlyle, que, perfurando a base
do recipiente, ousa escapar, todavia não é portentosa tal para
obrar um orifício por onde traspasse a cabeça, logo que se
revira e deixa escapar o resto do corpo — encerrada a cabeça na
sobreface, a vista inalterada — numa elevação submersa e
insensível. Autoflagelo, leviano e mole, prescrito
psicossomaticamente.