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Esperneio reconfortos atiçados…



Esperneio reconfortos atiçados, bocejo sem hesitar, recurvo-me sobre a atra mesa e versifico, alfabetos mutáveis, a alma decomposta. Sei-me, assim, como se desconhecesse pedaços de mim, reconheço-me vagamente; o que sei são peças raras de um conjunto putrefato, abandonadas à berma de uma estrada comprida.
Nunca apreciei mais o ermo que o nostálgico. Talvez isso me prenda à latência de tudo, especialmente à que une o prístino ao porvir e, entrementes, cicia áditos nulos que esqueço codificar. Ocasionalmente ancoro na saudade o meu barco fugaz e nela permaneço, chorosamente crédulo; liberta-me só o desígnio da cisma, a eloquência de uma oratória muda, um pálido pergaminho a crestar diante de mim. O sonho é ígneo e a realidade é a água turva que o detém. Há, em mim, um real fervor a persuadir instabilidades, um meio-movimento no derretimento do pensar; tudo numa constância inabalável.