Esperneio reconfortos atiçados, bocejo sem hesitar, recurvo-me
sobre a atra mesa e versifico, alfabetos mutáveis, a alma
decomposta. Sei-me, assim, como se desconhecesse pedaços de mim,
reconheço-me vagamente; o que sei são peças raras de um conjunto
putrefato, abandonadas à berma de uma estrada comprida.
Nunca apreciei mais o ermo que o nostálgico. Talvez isso me
prenda à latência de tudo, especialmente à que une o prístino ao
porvir e, entrementes, cicia áditos nulos que esqueço codificar.
Ocasionalmente ancoro na saudade o meu barco fugaz e nela
permaneço, chorosamente crédulo; liberta-me só o desígnio da
cisma, a eloquência de uma oratória muda, um pálido pergaminho a
crestar diante de mim. O sonho é ígneo e a realidade é a água
turva que o detém. Há, em mim, um real fervor a persuadir
instabilidades, um meio-movimento no derretimento do pensar;
tudo numa constância inabalável.