Estuporo-me de laicos vinhos, ou, por símil consideração, o faço
a mim próprio, esteticamente adstringido, ao passo que te
imagino, Selene, na tiritante chama de vela hirta bailar, à
feição de um, de vários, dos meus magnos sonhos: do Abismo se
compreende o quão imotamente se vive.
Mostrar-me-ás, S., alguma vez, existires quando te não chamo
sensorial e emocionalmente? O meu lado onírico tem um quê de
ébrio; há nele um pudor que imediata abstrusas revelações,
inferiorizando-me hierarquicamente pela razão mole. Isto se
sente como patear sobre um atoleiro, porém ele é tudo o que dou
por “isto”, que te comunico, conscientemente, temente ao Além, o
que corporeamente avisto. A peripécia é não deter a
subsequência, o óbice é não me saber igualmente lamacento; tudo
muda quando nada muda, ora, então, se torna o exílio impossível
àqueles que se têm por sustentáculos do decorrer das coisas.
Análogo a este meu discorrer, vai-se sumindo, lentamente, o
vinho, sem que eu aprecie, senão frivolamente, a sua ciência.
Acompanhas-me, S., no passar ligeiro das horas? Tenho já um
rito, aliás, deparo-o ocasionalmente, do qual fazes parte;
apraz-te a emoção?, decerto saberás, mercê de, em ti, o invocar.