back

Estuporo-me de laicos vinhos…



Estuporo-me de laicos vinhos, ou, por símil consideração, o faço a mim próprio, esteticamente adstringido, ao passo que te imagino, Selene, na tiritante chama de vela hirta bailar, à feição de um, de vários, dos meus magnos sonhos: do Abismo se compreende o quão imotamente se vive.
Mostrar-me-ás, S., alguma vez, existires quando te não chamo sensorial e emocionalmente? O meu lado onírico tem um quê de ébrio; há nele um pudor que imediata abstrusas revelações, inferiorizando-me hierarquicamente pela razão mole. Isto se sente como patear sobre um atoleiro, porém ele é tudo o que dou por “isto”, que te comunico, conscientemente, temente ao Além, o que corporeamente avisto. A peripécia é não deter a subsequência, o óbice é não me saber igualmente lamacento; tudo muda quando nada muda, ora, então, se torna o exílio impossível àqueles que se têm por sustentáculos do decorrer das coisas.

Análogo a este meu discorrer, vai-se sumindo, lentamente, o vinho, sem que eu aprecie, senão frivolamente, a sua ciência. Acompanhas-me, S., no passar ligeiro das horas? Tenho já um rito, aliás, deparo-o ocasionalmente, do qual fazes parte; apraz-te a emoção?, decerto saberás, mercê de, em ti, o invocar.