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Cortina de chão



Lábeis versos descrevem torpes vidas, somam-se e alteiam poesias diversas, cortinados amplos e rabiscados por mocidades esmaecidas, em direção ao desconhecimento dos primórdios do ser. Resume-se a vida, no seu lado físico, à automatização, à fuga da essência que percorre e entretece cada indivíduo; nós mesmos excluímos, de peito aberto, a sombra interior que mui nos ama e pertence; nós mesmos nos fazemos ocos e sóbrios.
Rocais versos limitam veracidades, estagnam no solo como floridos tapetes, vetustos e mórbidos, calcados e recalcados, bem assentes no mundo dos que neles pisam. A crueza da verdade não lhe permite elegância, mau grado a pena ilustre e faustosa, tampouco obstante o mérito do pintor; a verdade é aquela que se diz uma vez e apenas nessa suscita apreço, porque a repetição, ao invés de enfatizar, cansa-a.
Virtude atinge quem intercala lábeis e rocais versos, quem ergue panos trémulos e, na ocasião, os abaixa, para que neles pateiem os vindouros. A elegância jaz entre o sonho e o constatar que se dormiu, que se absteve das sensações físicas, que teatralizou um pensamento… Entre a inexatidão e a verdade perpetuam, em balanço, meias-verdades.

Uma amostra d’elegância: eu, sentado, num trono; a verdade sendo «eu, sentado» e o sonho, a inexatidão «num trono». O resultado da mescla entre uma parte feérica e outra real será sempre mais aprazível do que a ausência de uma delas.