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No alto mirante



No alto mirante, sob a preciosa abóbada constelada de terminares do astro primordial, jaz o sussurrar dissipado das milhares de vozes diurnas, vagas e sós; gotículas transformadas em poeira cristalina, elevadas para além do contemplar das almas sentinela.

Lá, nesse majestoso, supérfluo mirante, perpetua também a minha voz, a voz dos que amo e dos que vejo, dos desconhecidos e dos que lamento desconhecer. Elas vogam pelos ares noturnos como se ignorassem a vastidão desse mar e a satisfação quase desmedida do seu divagar pelo vazio. Ficamos nós, sentinelas, a observá-las ao longe, sentindo aquela perdição — tão delas é a perdição — que, por qualquer razão, levamos até à almofada e selamos com um condescendente fechar de olhos.